“(…) os farrapos os resíduos: não quero inventariá-los, e sim fazer-lhes justiça da única maneira possível: utilizando-os”
Walter Benjamin, Passagens [N 1a, 8].
Natural de Rosário, Maranhão, mas moldado entre a baixada de Cajari e os ventos da Ilha de Upaon-açu, Társis (1990-) transita entre o desenho e a gravura como quem recolhe fragmentos de um chão ancestral, redesenhando os contornos do que insiste em ser esquecido.
O artista revisita narrativas familiares ouvidas na infância e, entre deslocamentos forçados e permanências possíveis, traça uma arqueologia íntima da memória: escava sua cidade e o lugar de seus ancestrais no mundo, elaborando mapas afetivos sobre os caminhos que foram percorridos por sua família e formaram sua linhagem.
Társis constrói, assim, uma cartografia de identidade feita de farelos de tempo, gravações, barro fresco e retomada de presenças. Encontramos um artista que reelabora sua linhagem familiar pela escuta da chuva e dos pássaros, pela repetição dos traçados urbanos, e pela crença de que há, no ordinário, um mapeamento de memórias amontoado de valiosas miudezas.
* Adaptado do texto curatorial de Melissa Alves para o Atelier Aberto do Sertão Negro, julho de 2025.
